Dia 18 de Abril
A manhã no CPMR foi mais ligeira. Só faltava pintar as portas e janelas enquanto o Antoine e dois assistentes rematavam o chão da casa.
Quarta-feira é dia de mercado em Réfane o que animou bastante as nossas andanças pela aldeia.
Terminada a pintura fomos assistir à preparação do prato nacional do Senegal, a Thiéboudienne, que significa arroz de peixe. Para além destes ingredientes leva beringela, pepino, pimento, batata, inhame, cenoura, tomate, limão, peixe e marisco seco.
O Cozido à Portuguesa tem algo de semelhante embora não tenha nem metade do gosto desta iguaria. O concentrado de tomate, o sabor do limão e as especiarias que condimentam a Thiéboudienne dão um gosto quente e forte, muito africano.
O calor seco desta África não ajudou muito a ultrapassar a preguiça pós almoço. Com algum custo arrastámo-nos para dentro da carrinha para irmos até Touba.
Aqui se encontra a maior mesquita do Senegal, o principal santuário para os seguidores do Muridismo a vertente do Islão que predomina no País. O Muridismo representa a confraria principal e originária do Senegal, mais especificamente do povo Wolof.
A viagem seria de duas horas mas pelo caminho parámos em Ndem, uma aldeia de interior que explora um centro de comércio justo.
Não nos sentimos muito seduzidos pelos objectos ditos “justos”. O feitiço virou-se contra o feiticeiro – os preços das coisas não eram os mais justos aos nossos olhos.
Comprámos umas pulseiras coloridas feitas pelas raparigas da escola. Cada uma valia uma refeição – 1 euro ou 600 francos senegaleses.
Percorríamos um caminho pelo interior do Senegal bordeado de paisagem árida e rural.
Não percebíamos muito bem se chegava a ser bela dada a desolação dos campos. Extensões e extensões de terra seca, salpicadas de quando em vez de algumas árvores e muitas casas em meio de construção.
Só quando passamos por zonas de baobás (ou embondeiros) somos encantados pelo lirismo e expressão destas árvores. A história do Principezinho ajuda-nos a atribuir-lhe uma certa magia mas a verdade é que o seu porte imponente e milenar confere-lhe uma característica solene, se é que isso é possível numa árvore…
Mas bom, por alguma razão o baobá é o símbolo nacional do Senegal.
A cidade de Touba está localizada no centro do Senegal. Em Árabe, “tûbâ” significa felicidade, bem-aventurança ou beatitude.
Para os seguidores do Muridismo, Touba é um lugar sagrado. Estão proibidas na cidade actividades consideradas ilícitas e frívolas, como beber álcool, fumar, jogar jogos, tocar música e dançar.
A mesquita da cidade, completada em 1963, atrai cerca de 2 milhões de pessoas aquando da peregrinação “Grand Magal".
Para visitarmos a mesquita tivemos que mascarar as nossas roupas ocidentais. Os homens sabiam de antemão que não podiam usar calções, mas as voluntárias, embora prevenidas com lenços na cabeça, tiveram que disfarçar as calças que vestiam.
A visita à mesquita não foi muito proveitosa. Quando alguém tirava uma fotografia um zelador de Touba caiu-nos em cima… Para que não houvesse complicações, fomo-nos embora. Estava vista apesar do incidente a meio do passeio.
A manhã no CPMR foi mais ligeira. Só faltava pintar as portas e janelas enquanto o Antoine e dois assistentes rematavam o chão da casa.
Quarta-feira é dia de mercado em Réfane o que animou bastante as nossas andanças pela aldeia.
Terminada a pintura fomos assistir à preparação do prato nacional do Senegal, a Thiéboudienne, que significa arroz de peixe. Para além destes ingredientes leva beringela, pepino, pimento, batata, inhame, cenoura, tomate, limão, peixe e marisco seco.
O Cozido à Portuguesa tem algo de semelhante embora não tenha nem metade do gosto desta iguaria. O concentrado de tomate, o sabor do limão e as especiarias que condimentam a Thiéboudienne dão um gosto quente e forte, muito africano.
O calor seco desta África não ajudou muito a ultrapassar a preguiça pós almoço. Com algum custo arrastámo-nos para dentro da carrinha para irmos até Touba.
Aqui se encontra a maior mesquita do Senegal, o principal santuário para os seguidores do Muridismo a vertente do Islão que predomina no País. O Muridismo representa a confraria principal e originária do Senegal, mais especificamente do povo Wolof.
A viagem seria de duas horas mas pelo caminho parámos em Ndem, uma aldeia de interior que explora um centro de comércio justo.
Não nos sentimos muito seduzidos pelos objectos ditos “justos”. O feitiço virou-se contra o feiticeiro – os preços das coisas não eram os mais justos aos nossos olhos.
Comprámos umas pulseiras coloridas feitas pelas raparigas da escola. Cada uma valia uma refeição – 1 euro ou 600 francos senegaleses.
Percorríamos um caminho pelo interior do Senegal bordeado de paisagem árida e rural.
Não percebíamos muito bem se chegava a ser bela dada a desolação dos campos. Extensões e extensões de terra seca, salpicadas de quando em vez de algumas árvores e muitas casas em meio de construção.
Só quando passamos por zonas de baobás (ou embondeiros) somos encantados pelo lirismo e expressão destas árvores. A história do Principezinho ajuda-nos a atribuir-lhe uma certa magia mas a verdade é que o seu porte imponente e milenar confere-lhe uma característica solene, se é que isso é possível numa árvore…
Mas bom, por alguma razão o baobá é o símbolo nacional do Senegal.
A cidade de Touba está localizada no centro do Senegal. Em Árabe, “tûbâ” significa felicidade, bem-aventurança ou beatitude.
Para os seguidores do Muridismo, Touba é um lugar sagrado. Estão proibidas na cidade actividades consideradas ilícitas e frívolas, como beber álcool, fumar, jogar jogos, tocar música e dançar.
A mesquita da cidade, completada em 1963, atrai cerca de 2 milhões de pessoas aquando da peregrinação “Grand Magal".
Para visitarmos a mesquita tivemos que mascarar as nossas roupas ocidentais. Os homens sabiam de antemão que não podiam usar calções, mas as voluntárias, embora prevenidas com lenços na cabeça, tiveram que disfarçar as calças que vestiam.
A visita à mesquita não foi muito proveitosa. Quando alguém tirava uma fotografia um zelador de Touba caiu-nos em cima… Para que não houvesse complicações, fomo-nos embora. Estava vista apesar do incidente a meio do passeio.
Dia 17 de Abril
As alvoradas vão sendo cada vez mais deliciosas. O vento matinal e as conversas das crianças no recreio da escola acordam-nos para outro dia de trabalho. Falta o amarelo final na fachada do centro.
Estamos especialmente bem dispostos. A manhã está fresca, e a sensação de ver o trabalho a ser cumprido dá-nos um prazer especial.
Participarmos nesta primeira aventura solidária ajuda-nos a reduzir o nosso estar às coisas mais essenciais – vivermos em harmonia com os outros, participarmos na vida dos outros e contribuir com algo nosso.
As condições da estadia são simples mas apesar da ausência de luxos, nada nos falta. Viver em comunidade – somos 12 a partir de hoje com a chegada do Fernando Nobre – durante 10 dias, torna-se um teste à nossa generosidade e tolerância.
O Fernando Nobre juntou-se ao grupo. Sendo esta a viagem piloto, impunha-se assistir ao sucesso do novo projecto.
A pretexto da chegada do Fernando e em forma de agradecimento pela ajuda da missão, as mulheres da aldeia ofereceram-nos fatos tradicionais costurados por elas. O nosso trabalho era-lhes dedicado: com o Centro de Promoção da Mulher Rural operacional as mulheres da aldeia poderão contribuir para o orçamento familiar.
Estávamos então vestidos a rigor para assistir às cerimónias da tarde.
A sombra das árvores da escola serve de abrigo aos saraus preparados pela população de Réfane, como se de um rossio se tratasse.
A dança que assistimos nessa tarde pedia a protecção na época das colheitas. Em jeito de teatro, as mulheres vão-se chegando ao centro, e através da sua dança sacralizam o seu pedido.
À volta, as restantes mulheres cantam enquanto o percussionista marca o ritmo.
Mais tarde protagonizaram os homens da aldeia com uma competição de Lamb.
Durante a luta assistimos a uma competição de beleza para além da força. Vemos passar corpos esbeltos e caras bem desenhadas, e damos conta do sentido estético do povo senegalês.
Fogem-nos, com certeza, alguns códigos destes rituais mas é evidente que a competição dá azo a outros jogos entre homens e mulheres. As raparigas aperaltam-se para envergonhadamente torcer pelo seu herói, e as mulheres envergam orgulhosamente fatos elaborados e de cores garridas.
Na cultura muçulmana não há contacto físico em público mas há outras formas de demonstrar a interesse pelo outro – a simples oferta de um lenço feminino ou a vitória de uma luta pode suscitar o enamoramento.
As celebrações continuaram à noite. Era o dia de anos de uma das aventureiras, de certo um dos aniversários mais originais da sua vida até então.
O António Sequeira conseguiu invadir o território feminino e fez uma tarte de limão como bolo de anos da Teresa. A Dior até então proibia a entrada de homens na cozinha!
O José Luís e a Luísa, da sua ida a Dakar, trouxeram ainda de sobremesa alguns bolos da pastelaria local.
Houve direito a espumante, embora estivéssemos num país muçulmano. Já não bebíamos álcool há bastantes dias…
As alvoradas vão sendo cada vez mais deliciosas. O vento matinal e as conversas das crianças no recreio da escola acordam-nos para outro dia de trabalho. Falta o amarelo final na fachada do centro.
Estamos especialmente bem dispostos. A manhã está fresca, e a sensação de ver o trabalho a ser cumprido dá-nos um prazer especial.
Participarmos nesta primeira aventura solidária ajuda-nos a reduzir o nosso estar às coisas mais essenciais – vivermos em harmonia com os outros, participarmos na vida dos outros e contribuir com algo nosso.
As condições da estadia são simples mas apesar da ausência de luxos, nada nos falta. Viver em comunidade – somos 12 a partir de hoje com a chegada do Fernando Nobre – durante 10 dias, torna-se um teste à nossa generosidade e tolerância.
O Fernando Nobre juntou-se ao grupo. Sendo esta a viagem piloto, impunha-se assistir ao sucesso do novo projecto.
A pretexto da chegada do Fernando e em forma de agradecimento pela ajuda da missão, as mulheres da aldeia ofereceram-nos fatos tradicionais costurados por elas. O nosso trabalho era-lhes dedicado: com o Centro de Promoção da Mulher Rural operacional as mulheres da aldeia poderão contribuir para o orçamento familiar.
Estávamos então vestidos a rigor para assistir às cerimónias da tarde.
A sombra das árvores da escola serve de abrigo aos saraus preparados pela população de Réfane, como se de um rossio se tratasse.
A dança que assistimos nessa tarde pedia a protecção na época das colheitas. Em jeito de teatro, as mulheres vão-se chegando ao centro, e através da sua dança sacralizam o seu pedido.
À volta, as restantes mulheres cantam enquanto o percussionista marca o ritmo.
Mais tarde protagonizaram os homens da aldeia com uma competição de Lamb.
Durante a luta assistimos a uma competição de beleza para além da força. Vemos passar corpos esbeltos e caras bem desenhadas, e damos conta do sentido estético do povo senegalês.
Fogem-nos, com certeza, alguns códigos destes rituais mas é evidente que a competição dá azo a outros jogos entre homens e mulheres. As raparigas aperaltam-se para envergonhadamente torcer pelo seu herói, e as mulheres envergam orgulhosamente fatos elaborados e de cores garridas.
Na cultura muçulmana não há contacto físico em público mas há outras formas de demonstrar a interesse pelo outro – a simples oferta de um lenço feminino ou a vitória de uma luta pode suscitar o enamoramento.
As celebrações continuaram à noite. Era o dia de anos de uma das aventureiras, de certo um dos aniversários mais originais da sua vida até então.
O António Sequeira conseguiu invadir o território feminino e fez uma tarte de limão como bolo de anos da Teresa. A Dior até então proibia a entrada de homens na cozinha!
O José Luís e a Luísa, da sua ida a Dakar, trouxeram ainda de sobremesa alguns bolos da pastelaria local.
Houve direito a espumante, embora estivéssemos num país muçulmano. Já não bebíamos álcool há bastantes dias…
1 comment:
Olá Teresa!
Foi por acaso que encontrei este seu relato de uma Aventura Solidária em Réfane. Também eu embarcarei na próxima, em Junho. Como é a primeira vez que participo numa "aventura" deste género, estou um bocadinho (muuuiiiitooo) ansiosa e tenho alguns medos. Ler o seu "diário" tranquilizou-me um bocadinho. Se vir este comentário, por favor, envie-me um e-mail, gostava de falar um bocadinho mais consigo sobre esta experiência, se não a incomodar. Obrigada pela partilha!
Um abraço!
Mafalda Branco
amabranco@gmail.com
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