Dia 20 de Abril
Tomámos um pequeno-almoço saudoso em Réfane. A nossa estadia na aldeia estava terminada. Às 9h00 partimos com destino ao Lago Rosa. Deve-se este nome ao tom rosáceo da água – a presença de microrganismos e a forte concentração de sal conferem-lhe a cor rosa, que dependendo dos raios de sol é mais ou menos intensa. Na zona, para além do turismo, a população dedica-se à extracção do sal. A paisagem não podia ser mais curiosa e conforme nos aproximávamos da zona de extracção, ía ficando mais insólita. Em pirogas, os homens arrancam o sal do fundo de águas rosadas e as mulheres, vagarosamente, fazem o percurso entre as embarcações e a margem para recolher e depositar o mineral. São extraídos 380 gramas de sal por cada litro de água. Quem não comprara lembranças para Lisboa pôde fazê-lo ali. Os vendedores de artesanato assediaram-nos de tal forma que foi difícil resistir e ficar de mãos vazias! Almoçámos uma Yassa, mas nada que se parecesse com as iguarias da nossa Djor… Em compensação, desforrámo-nos da abstinência alcoólica – bebemos cerveja ao fim de sete dias!!! A meio da tarde zarpámos para Dakar. Da paz do campo fomos para o inferno da cidade… O trânsito da capital é mesmo caótico. As estradas até podem existir, o que não significa que o “senhor que se segue” respeite a ordem. Vale tudo: esquerda, direita, passeios de terra batida… Chega mais rápido quem for mais hábil. Em Dakar visitámos Yoff. Este bairro da capital acolhe um centro de saúde construído com a ajuda da AMI, em parceria com a APROSOR, Association pour la Promotion Sociale en Milieu Rural et Urbain, ONG que o Malick dirige. Sentimos mais a pobreza na cidade e apercebemo-nos de que as pessoas têm mais dificuldade em remediá-la. Valham a AMI e a APROSOR à população local. A praia de Yoff é maravilhosa. Outrora destino de Verão de franceses, está hoje transformada em centro piscatório e mercado de peixe fresco e seco. Foi estranho passear pela praia. Nós associamos a praia a lazer, descanso, sol e pureza, mas ali era o contrário… A praia é local de trabalho, comércio e depósito de lixo. Contudo não deixa de ter uma certa beleza desconcertante.
Dia 19 de Abril
Aqui a terra tem um preço irrisório. As palhotas ou casas de pobre cimento crescem ao sabor da vontade da gente de Réfane. Urbanismo e saneamento básico são coisas que não existem.
Por isso sentimos uma certa tristeza quando percorremos as ruas de terra da aldeia para chegarmos ao CPMR. Os plásticos caem onde lhes apetece, as embalagens rolam para onde calha e os montes de desperdícios vão-se formando sem a ajuda da mão do homem.
A bicharada anda por ali – cabras, galos e galinhas respigam o que de comestível resta na rua.
Nesta manhã inaugurámos o Centro de Promoção da Mulher Rural. Foi fantástico ver o quanto as mulheres apreciaram o trabalho feito. Foi reconfortante apercebermo-nos da mais valia que lhes levámos. E que nos custou tão pouco…
A quantidade de crianças é enorme. Também aqui nascem pelo menos 30 bebés por mês. Pode-se imaginar a animação desta terra!
Pela tarde, um grupo de alunos preparou um sarau teatral para a nossa despedida. A peça de teatro foi encenada em francês, só assim perceptível por nós.
Ouvimos a história de duas meias-irmãs. Uma boa aluna e outra menos prudente, mas mais protegida pela actual mulher do pai comum. A boa aluna recebe uma bolsa de estudo e a outra engravida e tem que abandonar os estudos.
É engraçado imaginar que argumento escreveriam os alunos de uma escola de Lisboa e compará-lo ao que aqui assistimos. Que pontos comuns haveria?
Aqui a terra tem um preço irrisório. As palhotas ou casas de pobre cimento crescem ao sabor da vontade da gente de Réfane. Urbanismo e saneamento básico são coisas que não existem.
Por isso sentimos uma certa tristeza quando percorremos as ruas de terra da aldeia para chegarmos ao CPMR. Os plásticos caem onde lhes apetece, as embalagens rolam para onde calha e os montes de desperdícios vão-se formando sem a ajuda da mão do homem.
A bicharada anda por ali – cabras, galos e galinhas respigam o que de comestível resta na rua.
Nesta manhã inaugurámos o Centro de Promoção da Mulher Rural. Foi fantástico ver o quanto as mulheres apreciaram o trabalho feito. Foi reconfortante apercebermo-nos da mais valia que lhes levámos. E que nos custou tão pouco…
A quantidade de crianças é enorme. Também aqui nascem pelo menos 30 bebés por mês. Pode-se imaginar a animação desta terra!
Pela tarde, um grupo de alunos preparou um sarau teatral para a nossa despedida. A peça de teatro foi encenada em francês, só assim perceptível por nós.
Ouvimos a história de duas meias-irmãs. Uma boa aluna e outra menos prudente, mas mais protegida pela actual mulher do pai comum. A boa aluna recebe uma bolsa de estudo e a outra engravida e tem que abandonar os estudos.
É engraçado imaginar que argumento escreveriam os alunos de uma escola de Lisboa e compará-lo ao que aqui assistimos. Que pontos comuns haveria?
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